terça-feira, 13 de setembro de 2011

"Ouse pensar"

Estou lendo um livro chamado "Deus um delírio", de Richard Dawkins. Ele é um cientista (biólogo) ateu, que escreveu vários livros divulgando o ateísmo e criticando os males da religião no mundo.
Nesse livro Dawkins diz que Deus é um delírio sociológico, criado pela mente das pessoas e passado de geração em geração.

Diz que a causa de a religião ser tão propagada e continuar fortíssima, mesmo nas sociedades pós-modernas, se deve à educação das crianças nas religiões. Ele diz que um ser humano adulto, criado em uma certa religião, dificilmente vai mudar seus conceitos. Sustenta ele ainda, que é um abuso infantil educar uma criança em uma religião, uma vez que se está tirando o direito de escolha da pessoa. Ora, se um adulto decide mudar de opinião religiosa, ou mesmo dizer que não acredita mais em nenhuma divindade, com certeza será tido como apóstata pela família e seu círculo de amigos. Essa pessoa torna-se um renegado. Nesse sentido, o direito de escolha é tolhido pelos pais e também pelo grupo. 

Pensando sobre o livro, olhei para mim e cheguei a conclusão que, se eu chegar para os meus pais aos 30 anos da minha existência, e declarar-me ateu, será para eles uma surpresa terrível, um desgosto e talvez até considerado uma traição.

Bem, eu fico pensando nos meus filhos (futuros). Será que eu darei a eles o direito de escolha? Penso hoje que também os criarei em um ambiente religioso, ensinando-lhes a fé em Deus e em Jesus, farei isso porque acredito nisso e penso que o que é bom para mim será bom para eles. Portanto, quando criança eles não terão escolha, pois uma mente infantil é como um esponja. Então, minha atitude não será muito diferente da dos meus pais. Mas penso que poderá haver uma diferença quando eles atingirem a adolescência e a juventude. Procurarei deixar o filho livre e incentivá-lo a pensar por si, para procurar sentido em sua própria fé e mesmo abandoná-la se assim decidir. Dawkins diria que isso não é liberdade, uma vez que a mente da pessoa já foi condicionada na infância. Ele pode ter um pouco de razão, mas é evidente que a educação (não só a religiosa) passa por esses processos.

Minha esposa e eu gostamos muito de conversar um com o outro, isso é uma das melhores coisas do nosso relacionamento. Um dia, em meio a uma conversa, perguntei o que ela faria se eu chegasse a ela e dissesse que tornei-me ateu. Ela respondeu: "eu me separaria" (não sei se foi bem assim, mas é assim que me lembro agora). Disse a ela que se me largasse por causa disso, ela não me amava de verdade, pois ala só amava uma idéia fixa de mim que ela guarda na memória. Expliquei que o ser humano é mutável em suas idéias. Ela me disse que, quando começou a namorar comigo, tinha dito que era extremamente essencial que eu professasse a mesma fé que ela. Eu rebati dizendo que ela sempre soube que eu era inquieto na fé, que sempre estava questionando e que ela podia prever, namorando uma pessoa assim, que esses questionamentos poderiam, quem sabe, levar a uma mudança drástica de paradigmas ou ao abandono da fé. Ele terminou dizendo que não poderia conviver com uma pessoa que não acredita em Deus, principalmente por causa da educação dos filhos. Mais uma vez se confirma a dificuldade das pessoas mais próximas aceitarem a descrença de um ex-fiel.

Voltando ao livro do Dawkins. Ele consegue argumentar muito bem contra a religião e, de fato, percebo que a religião fez muito mal ao mundo (mas também fez sua parcela de bondades). Durante a leitura eu tenho questionado a minha fé. Isso não é novidade para mim, pois venho questionano muito a minha fé somente lendo a Bíblia, venho fazendo isso desde que alcancei cheguei aos 18, mais ou menos.

Quando comprei este livro, fiquei um pouco receoso, mas pensei, "já li dezenas de livros evangélicos, talvez mais de cem, se eu me tornar ateu após ler um livro escrito por um ateu, então minha fé é muito frágil mesmo e não faz sentido".

Quando comecei a leitura disse para a Miriam (minha esposa) que eu não poderia ser medroso ao ponto de não poder ler livros que se opõem a minha fé. A fé deve ser sólida, para aguentar essas interpéries e se não for, não é uma fé que valha a pena acreditar. Creio que todo religioso deveria questionar a própria fé, para ver se ainda faz sentido, ou se acredita só porque foi condicionado desde a infância.

Num trecho do livro, Richard Dawkins diz que, se todos fossem críticos sobre sua fé, não haveria tanto homens bomba, pessoas não teriam sido queimadas em fogueiras e nunca teria ocorrido suicídios coletivos.

Durante a leitura do livro tenho tido uma visão mais ampla das religiões, inclusive do cristianismo. Li em algum lugar que, se Jesus viesse hoje ao nosso mundo, ele com certeza não seria Cristão, e talvez questionasse esta religião, como fez com o judaísmo da sua época. Acho que nos chamaria todos de "raça de víboras", principalmente aqueles do Vaticano.

Ao questionar a religião, também questiono a hipocrisia das igrejas. Também da prisão às doutrinas e dogmas e como isso, algumas vezes, acaba impedindo o acesso de algumas pessoas ao próprio Deus.

Bem, apesar disso tudo, não perdi a fé em Deus. Mas posso dizer que sou menos religioso.

Foi o Frei Beto que disse que, quando estudava para ser padre teve uma crise de fé e chegou a pensar em deixar o seminário, pois não acreditava mais em Deus. Depois descobriu que não é que tinha perdido a fé, só não acreditava mais da forma como lhe tinha sido ensinado desde a infância, passou de uma fé sociológica para uma fé personalizada.

É assim que eu me sinto. Se eu for conversar com um crente fundamentalista talvez encontre pouca coisa em comum, e talvez ele diga que minha fé não serve, que estou condenado. Mas a fé para mim é pessoal e não pode ser institucionalizada. As igrejas costumam definir Deus com os limites da religião, o que tende a padronizar a fé, impedindo uma espiritualidade pessoal. Esquecem que definir Deus é limitá-lo. Pessoas que estão presas dentro da caixa da religião, sentem-se em crise quando aquelas doutrinas não fazem mais sentido para elas.

Bem, estou chegando ao fim do livro. Os crentes que se interessarem deveriam lê-lo.
Lembro que, em uma conversa com minha amiga Carol Zezem, eu dizia que estava lendo muito filosofia, principalmente Nietzsche. Ela me alertou para ter cuidado, pois tinha um amigo cristão que começou a ler os filósofos e acabou virando ateu. Lembro que respondi a ela citando um trecho de um livro do Rubem Alves que dizia:
"Eu não posso respeitar deuses que me proíbam o exercício do pensamento. Um deus que não sobrevive ao exercício da inteligência não pode ser deus. É um ídolo de pés de barro. Mas eu amaria e respeitaria um Deus que não temesse o pensamento e que me dissesse, como desafio: Ouse pensar!"
Ele dizia ainda que "coisas sagradas que não podem ser pensadas são ídolos".

Acho que o problema das idéias de Dawkins é que ele (como todos os ateus e muitos crentes), interpreta a Bíblia de forma literal e não leva em cosideração o processo histórico e cultural das populações retratadas lá. Além disso, Deus não pode ser explicado pela ciência, nem organizado em probabilidades como ele pensa. Da mesma forma que não cabe à religião explicar fenômenos naturais. A pessoa que crê em Deus não crê porque acha a sua existência muito provável, acredita porque Deus faz sentido para uma outra dimensão de sua existência, a qual transcende o plano material. A ciência pode (e deve) explicar o "como" o Universo e tudo mais veio a existir, mas é incapaz de explicar o "porquê" estamos aqui. É esse sentido que buscamos em Deus.

P.S: Três dias depois de escrever esse texto, terminei de ler o livro "Deus um delírio". Agora estou em busca de outro livro que faz uma crítica a este, chamado "O delírio de Dawkins - uma resposta ao fundamentalismo ateísta de Richard Dawkins", cujo autor, Alister Macgrath, é um doutor em biofísica molecular, que faz parte da mesma universidade que Dawkins (Oxford), e já foi ateu no passado mas repensou suas convicções. O autor parece fazer críticas interessantes às idéias apresentadas por Dawkins. Se alguém tiver para emprestar, me avisa.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Política 2.0*

Olá pessoal, a quanto tempo! Sugiro que leiam o recente texto da Marina Silva sobre a passeata contra a corrupção que aconteceu no último 7 de setembro:

Nem o clima de deserto que castigou Brasília no Sete de Setembro intimidou os cerca de 25 mil manifestantes da Marcha contra a Corrupção, em pleno centro do poder.

A despeito do calor, a maioria foi de preto, para expressar seu luto diante da corrupção e da impunidade.

Gente muito jovem, em grande parte, foi dizer aos Poderes da República que não aceita a complacência e o corporativismo com que corruptos costumam ser tratados. É gente consciente, cidadã, que com razão considera aberrante o desfecho do caso da deputada filmada recebendo dinheiro sujo e absolvida pela Câmara, em votação secreta, acobertada do público.

Quem foi às ruas também não se conforma com o pragmatismo raso, que usa a necessidade de governabilidade como álibi eterno para políticos de todos os partidos. O movimento que pôs tanta gente no centro de Brasília não é espontâneo -rótulo enganador que sugere certa ingenuidade.

Houve a iniciativa de quem se dispõe a não aceitar o lugar de mero espectador da política. Pipocou nas redes sociais, foi autoconvocatório. Barrou quem queria entrar com bandeiras de partidos. Pacífico, livre, não atacou o governo, mas disse o que o revolta.

Agora desafia análises apressadas que, usando categorias e modelos mentais insuficientes para entender o presente, partem para rotular e desqualificar. “É de direita”, “é moralista”, “é apolítico”.

Talvez porque não estavam lá, à frente, faturando para seu grupo a sempre forte presença da população na rua, assustadora para quem, no poder ou na periferia dele, está pronto a servi-lo a qualquer preço. Falam como coro grego que vê sua função de intermediário esvair-se, pois a própria plateia resolve assumir a ação.

O povo apareceu, como gritaram em Brasília. Que é um movimento político, não há dúvida, mas não nos termos partidários ou do maniqueísmo da disputa entre esquerda/direita, progressista/conservador. No mínimo, as passeatas de Brasília e de outras cidades, mesmo que em menor número, mostraram que é possível se mobilizar em torno de um alinhamento ético e da busca por direitos e cidadania.

Mostram ainda que as novas metodologias e formas de comunicação funcionam e podem crescer em força, capacidade de agregação e na prospecção de novos aplicativos democráticos.

É a borda caminhando para o centro, o seu lugar legítimo.

Isso deve incomodar muito quem pensa que as questões do poder não são da conta do povo. Como alguém postou no Twitter: “O “basta à corrupção” de hoje, fruto de uma espécie de autoconvocação, pode ser o embrião de um histórico movimento de cidadania”.

Esperamos que sim, embora não saibamos ainda no que vai dar. Mas certamente vem por aí a política 2.0. 

* Artigo da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva publicado originalmente na Folha de S. Paulo em 9 de setembro de 2011

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O teste do Marshmallow

Desde a década de 1970 várias pesquisas vêm sendo feitas na Universidade de Stanford (EUA) sobre a capacidade do ser humano de controlar os seus impulsos (seus desejos, seus instintos). Um dos estudos mais interessantes foi dirigido por Walter Mischel, um especialista em psicologia da Universidade Stanford.
Ele reuniu várias crianças de aproximadamente 4 anos de idade e fez o chamado teste do marshmallow.
O que esses estudos estão revelando? Que quem possui autocontrole consegue mais sucesso acadêmico e profissional, ou seja, alcança melhores notas, se prepara melhor para os exames e provas, é mais perseverante e mais focado, apresenta menores índices de criminalidade, são mais empreendedores, sabem lidar melhor com os fracassos e as frustrações que acontecendo inevitavelmente na nossa vida etc.

As carinhas das crianças são impagáveis!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O essencial é saber ver...

Antonio Abujamra recita um poema toda terça feira, ao final do seu programa "Provocações"

O essencial é saber ver, de Alberto Caeiro, diz a verdade que insistimos em esquecer.

O tapeceiro

O programa Plataforma é um projeto audiovisual que pretende " tornar vista a palavra e audível a experiência".
A proposta: um programa disponibilizado pela internet, que anuncia o trabalho de artistas cristãos brasileiros, comprometidos com o Reino de Deus e comprometidos com a cultura brasileira.
Posso dizer, é diferente, é bom. Vejam.

Vou trazer para vocês, de quando em quando, alguns vídeos do projeto.

Hoje fiquem com "O tapeceiro"


Stênio Marcius é musico e compositor. Tem mais de 300 composições e quatro cds gravados, com produção independente e faz da música seu ministério.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Debates atuais - União Homoafetiva

Olá amigos e amigas,
Convido vocês a ler o ótimo texto do jurista Willian Douglas, que opina sobre decisão do STF que reconheceu o direito à união estável aos casais homossexuais; a Suprema Corte deu interpretação conforme a Constituição Federal para excluir qualquer significado do artigo 1.723 do Código Civil que impeça o reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar. A decisão prolatada em 04.05.11 deve ser obedecidos por todos.
A decisão gerou aplausos da comunidade homossexual, mas gerou também opiniões contrárias à respeito da legitimidade do STF para mudar a constituição.
Leiam o texto que reflete também a minha opinião sobre a questão.

WILLIAM DOUGLAS*
A decisão do STF, de ser comemorada e criticada, é apenas mais um round na luta irracional que se desenvolve entre religiosos e o movimento gay. O STF acertou na decisão, mas errou em sua abordagem. Ao invés de interpretar a Constituição, ousou reescrevê-la sem legitimidade para tanto. Mas, que razões levaram a Corte Suprema a isso? A imperdoável incapacidade dos contendores de agir de forma tolerante, democrática e respeitosa. A terrível intenção, de ambos os lados, de forçar o outro a seguir seus postulados, em atentado contra a liberdade de escolha, opinião e crença.
Quem ler os relatos contidos em anais da constituinte verá que incluir o casamento gay na Constituição foi assunto derrotado nas votações. O STF mudar esse conceito e ignorar a decisão do constituinte originário é ativismo judicial da pior espécie, mas o STF tem suas razões: os religiosos, ao invés de negociar uma solução, se negam a mexer na Constituição.
O erro da intolerância, o movimento gay também comete ao tentar impor um novo conceito de casamento ao invés da aceitação da união civil estável homoafetiva, e mais ainda, ao defender um projeto de lei contra homofobia que desrespeita a liberdade de opinião e religiosa (PLC 122). Isso para não falar do “kit gay”, uma apologia ofensiva e inaceitável para grande parcela da população. Não há santos aqui, só pecadores. Em ambos os lados.

Erram os religiosos ao querer impedir a união civil homossexual, calcando-se em suas crenças, as quais, evidentemente, não podem ser impostas à força. Mas erra também o movimento gay em querer enfiar goela abaixo da sociedade seus postulados particulares. Vivemos uma era de homofobia e teofobia, uma época de grupos discutindo não a liberdade, mas quem terá o privilégio de exercer a tirania.
Negar o direito dos gays é tirania dos religiosos. De modo idêntico, impor sua opinião aos religiosos, ou calá-los, ou segregá-los nas igrejas como se fossem guetos é tirania do movimento gay. Nesse diálogo de surdos, o STF foi forçado a decidir em face da incompetência do Congresso, dos religiosos e do movimento gay, pela incapacidade de se respeitar o direito alheio.
Anotemos os fatos. O STF existe para interpretar a Constituição, não para reescrevê-la. Onze pessoas, mesmo as mais sábias, não têm legitimidade para decidir em lugar dos representantes de 195 milhões de brasileiros. Os conceitos “redefinidos” pelo STF são uma violência contra a maioria da população. Nesse passo, basta ler o artigo Ulisses e o canto das sereias: sobre ativismos judiciais e os perigos da instauração de um terceiro turno da constituinte, de Lênio Luiz Streck, Vicente de Paulo Barreto e Rafael Tomaz de Oliveira, disponível em meu blog. O resumo: apenas Emenda à Constituição pode mudar esse tipo de entendimento. O problema: a maioria se recusa a discutir uma solução contemporizadora que respeite e englobe a todos.
O Supremo agiu bem em alertar sobre a incapacidade das partes de resolverem seus problemas no Congresso, mas errou em, ao invés de se limitar a assegurar direitos de casais discriminados, invadir o texto da Constituição para mudá-lo manu militari.
O STF não se limitou a garantir a extensão de direitos, mas quis reescrever a Constituição e modificar conceitos, invadindo atribuições do Poder Legislativo. Conceder aos casais homossexuais direitos análogos aos decorrentes da união estável é uma coisa, mas outra coisa é mudar conceito de termos consolidados, bem como inserir palavras na Constituição, o que pode parecer um detalhe aos olhos destreinados, mas é extremamente grave e sério em face do respeito à nossa Carta Magna. “Casamento” e “união civil” não são mera questão de semântica, mas de princípios, Nem por boas razões o STF pode ignorar os princípios da maioria da população e inovar sem respaldo constitucional.
Enfrentar discriminações é louvável, mas agir com virulência contra os conceitos tradicionais, e, portanto, contra o Congresso e a maioria da população, diminui a segurança jurídica diante da legislação. A tradição existe por algum motivo e não deve ser mudada pelo voto de um pequeno grupo, mas pela consulta ao grande público ou através de seus representantes, eleitos para isso.
O art. 1.726 do Código Civil diz que uma união estável pode ser convertida em casamento mediante requerimento ao juiz. Ora, pelo que o STF decidiu, foi imposto, judicialmente, o casamento gay. Até os ativistas gays, os moderados, claro, consignam o cuidado de não se chamar de casamento a união civil. Os ativistas não moderados, por sua vez, queriam exatamente isso: enfiar goela abaixo da maioria uma redefinição do conceito de casamento. Não se pode, nem se deve, impedir que um casal homossexual viva junto e tenha os direitos que um casal heterossexual tem, mas também não se pode impor um novo conceito que a maioria recusa.
Abriu-se, em uma decisão com intenção meritória, o precedente de o STF poder substituir totalmente o Congresso. Salvo expressa determinação da Constituição para que o faça, quando o Congresso não legisla sobre um tema, isso significa que ele não quer fazê-lo, pois se quisesse o teria feito. Há um período de negociação, existem trâmites, existem protocolos. O STF não pode simplesmente legislar em seu lugar, tomar as rédeas do processo legislativo. Mas, que o Congresso e as maiorias façam sua mea culpa em não levar adiante a solução para esse assunto.
O STF deve proteger as minorias, mas não tem legitimidade para ir além da Constituição e profanar a vontade da maioria conforme cristalizada na Constituição. O que houve está muito perto de criar, pelas mãos do STF, uma ditadura das minorias, ou uma ditadura de juízes. O STF é o último intérprete da Constituição, e não o último a maculá-la. Ou talvez o primeiro, se não abdicar de ignorar que algumas coisas só os representantes eleitos podem fazer.
Precisamos caminhar contra a homofobia e o preconceito. E também precisamos lembrar que cresce em nosso meio uma nova modalidade de preconceito e discriminação: a teofobia, a crençafobia e a fobia contra a opinião diferente – o que já vimos historicamente que não leva a bons resultados.
O PLC 122, em sua mais nova emenda, quer deixar ao movimento gay o direito de usar a mídia para defender seus postulados, mas nega igual direito aos religiosos. Ou seja, hoje, já se defende abertamente o desrespeito ao direito de opinião, de expressão e de liberdade religiosa. Isso é uma ditadura da minoria! Isso é, simplesmente, inverter a mão do preconceito, é querer criar guetos para os religiosos católicos, protestantes, judeus e muçulmanos (e quase todas as outras religiões que ocupam o planeta) que consideram a homossexualidade um pecado. Sendo ou não pecado, as pessoas têm o direito de seguir suas religiões e expressar suas opiniões a respeito de suas crenças.
E se o STF entender que o direito de opinião e expressão não é bem assim? Isso já é preocupante, porque o precedente acaba de ser aberto. E se o STF quiser, assim como adentrou em atribuições do Congresso, adentrar naquilo que cada religião deve ou não professar?
O fato é que as melhores decisões podem carregar consigo o vírus das maiores truculências. Boa em reconhecer a necessidade de retirar do limbo os casais homossexuais, a decisão errou na medida. Quanto ao mérito da questão, os religiosos e ativistas moderados deveriam retomar o comando a fim de que a sociedade brasileira possa conviver em harmonia dentro de nossa diversidade.


**William Douglas – Juiz federal/RJ, mestre em Direito, especialista em políticas públicas e governo.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Provocando Rubem Alves

O programa "Provocações", é descrito em sua página na internet como um programa "difícil de enquadrar na tipologia sedimentada pela TV"
Página do programa
A descrição continua, "o programa agride muito mais que agrada, quando se tem em conta a mentalidade plasmada pela indústria cultural e pela vulgarização do conhecimento. E tira o espectador da sua passividade ruminante de só digerir o que já vem pronto no prato... e com molho de sabor neutro"

Quem está no leme, provocando os convidados, é Antonio Abujamra, este que está há mais de 50 anos na televisão e no teatro, mas sem se conformar com o Establishment intelectual televisivo.

Dito isto, trago à baila a provocação de Rubem Alves, grande educador, filósofo, curioso e transcendente, estrevista aqui dividida em quatro partes. Deleitem-se.







quarta-feira, 15 de junho de 2011

Projeto Ex-Gordo - Dia 13 - Legião Urbana

Conheça o Projeto
Hoje ouvi o disco do "Que país é este", do Legião Urbana, lançado em 1987. O terceiro disco do Legião é surpreendente pela sua maturidade. Nele, Renato Russo registrou algumas músicas que tocava em sua antiga banda, o Aborto Elétrico. O contexto político em que o disco foi lançado era complexo, com a dificuldade da estabilização política nos três primeiros anos sem o governo Militar.
Neste album aparece pela primeira vez a canção épica "Faroeste Caboclo", com 9 minutos de duração.

Impressões do Caminho:
Caminhei com basteante entusiasmo, mas ainda somente meia hora, com mais 10 minutos de alongamento.
Estou tentando cumprir um plano de exercícios que peguei na revista on line runner, para pessoas sedentárias. O plano sugere caminhadas 3 vezes na semana de meia hora cada. 
Se você estava sedentário como eu, baixe o plano da runner
e comece hoje mesmo. 


segunda-feira, 13 de junho de 2011

Projeto Ex-Gordo - Dia 12 - Jesus Cristo Superstar

Conheça o projeto

Até então eu só tinha ouvido fazer do musical por nome. Um belo dia meu sogro me convidou para ver o filme "Jesus Christ Superstar". Ele explicou que quando jovem assistiu o filme e ficou maravilhado com a maneira que a história de Cristo foi contada. Tudo que um "bicho-grilo" da época de 70 precisava para entender a história mais incrível de todas.
A cada música eu ficava mais impressionado.

Jesus Cristo Superstar é uma ópera Rock composta por Andrew Lloyd Webber, com texto de Tim Rice. Andrew é considerado o papa dos musicais, compôs para os musicais famosos, como "Cats", "O fantasma da ópera" e "Evita".

O disco foi lançado em 1970, e conta com a voz de Ian Gillan do "Deep Purple, talvez a melhor voz que o Rock já teve em todos os tempos.
A opera Rock foi filmada em 1973, em Israel (este que assiti com meu sogro, o do cartaz acima).
No ano 2000, foi refilmado, não mais em Israel, mas dentro do teatro, no formato da Broadway. Não é tão bom quanto o primeiro, que conta com a "aura" da época de 70 e com o incrível "Ted Neeley" no papel de Jesus, que tinha uma voz grave e rouca, e não economizava nos agudos próprios do Rock.

Encontrei tanto o famoso disco de 70, quanto o disco das filmagens de 73 na internet e devorei os dois. Posso dizer que o disco de 70, com Ian Gillan é insuperável, incrível. Mas o filme com Ted Neeley é ótimo também.
O musical conta a história da última semana de Cristo e coloca Judas Escariotes como um dos personagens principais da trama. As letras introduziram gírias e frases coloquiais que os jovens usavam na década de 70.
Uma das coisas que mais me chamam atenção é como o letrista conseguiu retratar os personagens de forma que transmitissem as emoções humanas, inclusive Cristo. Além disso, fica demonstrado como as pessoas e os discípulos ainda não estavam preparados para entender a mensagem de Cristo em sua plenitude.
Uma das cenas polêmicas, quando Maria Madalena, vendo que Jesus está cansado dos acontecimentos da última semana, ajuda-o a relaxar massageando-o com unguento. Em uma das músicas, a própria Madalena se expressa dizendo que não entende que tipo de homem é aquele, e que não sabe ainda o tipo de amor que deve dedicar a ele.

Abaixo as duas melhores músicas na minha opinião. Perceba na segunda, "Gethsemane", Jesus demonstra o seu lado humano, quando pede para Deus o livrar "desse cálice de veneno", e Ted Neeley detona, me emociona todas as vezes que vejo:





Para quem quiser ouvir o grande Ian Gillan cantar a música acima, está aqui o link:
Gethsemane com Ian Gillan

Impressões do Caminho:
Passei um bom tempo sem fazer exercícios. Um pouco por desânimo, um pouco por falta de tempo. Desde fevereiro passei a fazer os preparativos para meu casamento, o que tomou muito tempo. Estou casado fazem 2 meses e estou curtindo muito a nova fase.
Acontece que, dentro do casamento, a mulher tem mais oportunidade de perceber o sedentarismo do homem gordo. E casei com uma gatinha magra. Ela puxa minha orelha e me incentiva todos os dias para continuar com o projeto. Então aqui estou eu, em mais um dia, rumando para ser um ex-gordo.
Além disso, meu primo Gê, professor de educação física que mora na minha cidade natal, a "grande" Guararapes, me fez a insólita proposta de corrermos a São Silvestre no final do ano. Eu, eterno otimista, topei.
Estou com treino de vários meses revisado pelo Gê pronto para ser executado.
Bem, esta façanha não é impossível, apenas improvável. Mas, vamos em frente. O compromisso está firmado.
Hoje a caminhada foi pela manhã, antes do trabalho. Fiz apenas meia hora, para não forçar o corpão adormecido.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

A história de amor mais cantada do Brasil

Em parceria com a O2 Filmes, do diretor Fernando Meirelles, a empresa de celular Vivo, homenageia a música "Eduardo e Mônica", clássico do Legião Urbana lançado há 25 anos.

O vídeo recria os passos do casal mais famoso do Brasil.

Tudo não passa de uma campanha da Vivo para o dia dos namorados, celebrando a "história de amor mais cantada do Brasil".

E olha pessoal, ficou sensacional!
E confesso que não consegui segurar as lágrimas de emoção, quando relembrava os tempos da adolescência.

"Eduardo e Mônica" era a principal das rodinhas de violão, carta na manga para impressionar as meninas. A brincadeira era tentar lembrar a letra de cabeça, um verdadeiro desafio.

Proponho uma idéia. Escreva nos comentários abaixo o que a música significou para você em algum momento da sua vida. A proposta não é só para quem nasceu no final dos anos 70 ou começo dos 80, mas para todos que já curtiram essa música tão bacana.

Confiram o vídeo